TRAIÇÃO EM LAS VEGAS


Traição

O relato de Aurora é sobre quão elásticos podem ser os limites do autoengano e sobre as decisões que temos de tomar, quando se torna impossível ignorar a realidade.

“Ele me trai, eu sei que ele me trai. E não é de hoje. A primeira que eu peguei foi há quatro anos: a chave de um flat no assoalho do carro. Ele se enrolou todo para explicar, disse que tinha dado carona para um cliente que costumava se hospedar ali e que este teria deixado a chave cair. Eu engoli.

Depois, teve Las Vegas, a negócios. Assim que ele voltou, fui procurar um comprimido para dor de cabeça no nécessaire dele e dei de cara com duas camisinhas. Cintilantes. Novinhas. Rindo da minha cara. Claro que o problema não eram as duas camisinhas, mas a terceira, faltante, que completaria o pacotinho.

Quis morrer, chorei uma tarde inteira, me torturei imaginando como seria a vadia americana, tracei planos de vingança… e não fiz nada. Mais uma vez, ele se atrapalhou e disse que só podia ter sido coisa da camareira. Uma desculpa tão fraquinha, que não sei se, por dó dele, de mim ou de nós dois, achei melhor não levar a discussão avante.

Arquivei mais essa decepção, como fiz com as que viriam a seguir. O despeito, a mágoa, tudo se transformou em raiva. Raiva, não por ter de dividir a energia sexual dele com as outras, mas por nem sequer me dar o trabalho de revirar bolsos e examinar colarinhos.

Será que ele faz de propósito, para testar o meu amor, a minha paciência ou se vingar de alguma coisa que eu nem sei se fiz? Ou será que é só amadorismo, mesmo?

Não sei qual das duas hipóteses é menos aviltante. Sei que resisto porque ele é um pai incrível, que não deixa faltar nada de material ou afetivo às crianças. E eu sei que você vai me achar uma estúpida – você, que é mãe solteira e já deve ter despachado uma dúzia de caras por muito menos – pode me chamar de neo-pequeno-burguesa pelo que eu vou falar, às portas de 2015: ele é um bom marido.

Traição

Tirando a infidelidade, não se esquece das nossas datas importantes, me leva para o exterior duas vezes por ano, sempre traz um macaron, uma orquídea rara, um batom da MAC… Que homem faz isso, depois de 15 anos juntos?

Não tenho coragem de contar esse segredo a mais ninguém. Minhas amigas jamais entenderiam uma mulher financeiramente independente fingir que não vê certas coisas.

Tem vezes em que tento me conformar, afinal não dá para exigir perfeição de ninguém. Noutras, bate uma agonia tão grande, que acordo no meio da noite e não consigo continuar na cama, ao lado dele.

Numa dessas madrugadas, comecei um bate-papo com um ficante de adolescência, o Alvinho. Eu era apaixonada por ele, mas tratei de não me envolver porque umas meninas diziam que ele era galinha. Pois é, escolhi tanto e acabei assim…

Marcamos um almoço e depois rolou motel. Sem culpa, viu? Tenho crédito de monte. Foi maravilhoso voltar a um tempo em que eu me sentia livre e única…

Nos meus delírios, me vejo largando tudo e apostando em uma nova relação. Dou prazos internos, que acabo por não cumprir. Digo a mim mesma que meu casamento tá por uma: mais uma cueca suja de sangue e eu caio fora.

Daí, na mesa do jantar, pula um balãozinho no celular dele: ‘pode falar, amore?’(periguetes adoram ‘amore’ , ‘oiê’ e ‘bjus’) mas nem assim consigo cultivar uma indignação que me faça abandonar a garantia do cinema nas tardes de domingo. Porque o domingo de uma mulher sozinha deve ser uó… Desculpa, Priscilla, como é o seu?

Sabe, pior que perder o tesão do meu marido para outra, é perder o meu tesão por mim mesma. Eu não tô gostando nada dessa mulher cínica e amarga que eu virei.

Então, eu vim aqui para você me ajudar a pesar tudo isso e traçar um plano para eu me tornar a mulher que eu queria ser, quando era adolescente. O Alvinho… Não sei no que isso vai dar, mas ele me fez sentir saudade daquela que não me tornei.”

Segredos, mentiras e mágoas como os que Aurora guarda vão minando o amor próprio e podem até nos fazer adoecer. Felizmente, ela percebeu que o que separa ser enganada de enganar a si mesma é um encontro íntimo com a verdade.

Parece estranho que tantas pessoas se mantenham em uma situação desse tipo, nos dias de hoje, mas isso acontece, geralmente, por quatro motivos:

1-Para protegerem a si mesmas ou aos outros do ridículo; a aparência conta mais.

2-Por medo de serem rejeitadas; elas não se julgam merecedoras de uma vida melhor.

3-Para esconderem más escolhas; parecerem espertas é mais importante que serem felizes.

4-Porque pensam não haver alternativa; falta informação, apoio prático ou suporte emocional.

Dicas da ORLANDO MOMENTS para você:

Horóscopo de Gêmeos 21-08-2018

Terça está ai para renovar os ares de sua vida, abra uma janela para a nova jornada que os astros estão reservando para você e pule de cabeça em sua sorte de HOJE!! Tudo aquilo que você tem duvida sobre AMOR e TRABALHO será esclarecido aqui! ÁRIES: Amor: Não leve rancor no seu coração, tente...

CONTINUE LENDO

Eles deixaram o bebê sozinho com um pit bull e ela foi a melhor babá que ela poderia ter

Um pitbull muito carinhoso chamado Hulk está mudando as mentes de muitas pessoas que não gostam desta raça. Este cão incrivelmente grande é enorme, mas ele é terno com sua família e os ama muito. Os pit bulls têm uma má reputação por serem cães violentos. Algumas cidades até proibiram o cão ou raças semelhantes de serem...

CONTINUE LENDO

 


Gostou? Compartilhe com os seus amigos!

0
2 compartilha

Deixei seu comentário

Mais sobre: Horóscopo