Efeito Pabllo Vittar: Após estouro da cantora, veja 10 artistas drags, trans e travestis que são apostas para 2018


Pablo Vittar

Novatas e veteranas se jogam no mercado aquecido da música pop LGBT. ‘Vamos continuar a revolução’, diz drag Aretuza Lovi, que assinou com a Sony.

O cenário das cantoras brasileiras drags, trans e travestis está animado como um episódio de “RuPaul’s Drag Race”. Mas ao contrário da competição televisiva dos EUA, a temporada de 2018 da música pop do Brasil pode ter várias vencedoras.,

O ano de 2017 teve portas abertas principalmente por Pabllo Vittar, que virou nome nacional. No embalo, várias cantoras pop querem ocupar e ampliar o este espaço no mercado da música.

O mercado está favorável para ir além de festas LGBT. A ajuda pode vir de gravadoras, empresas, fãs e de colaborações entre as próprias cantoras.

A drag goiana Aretuza Lovi é a primeira a sentir a força do “efeito Pabllo Vittar”. No final de novembro, assinou contrato com a gravadora Sony Music, mesma de Pabllo. Ela prepara seu primeiro disco completo, “Mercadinho”. Aretuza tem altas expectativas.

“O ano passado foi incrível para todas nós. A Pabllo representou muito bem, foi uma revolucionária. Ela puxou a visibilidade e falou: vem com a gente. Este é um ano propício e vamos continuar a revolução. Vai ser um ano lindo, de militância e música boa”, diz Aretuza.

Aretuza não é iniciante. Pelo contrário: em 2012 lançou “Striptease”, pop eletrônico com produção amadora, mas não distante do que se faz por estas cantoras hoje. Também não é desconhecida. “Catuaba” e “Vagabundo” tiveram repercussão no ano passado. Mas ela comemora a chance de fazer um álbum “muito mais profissional”.

Valor para marcas
Não é só a Sony que está de olho no movimento. Várias empresas procuram estas cantoras para ações de publicidade e oferecem uma fonte de renda cada vez mais visada na indústria musical hoje: propaganda e licenciamento de músicas.

Pabllo Vittar chegou a anúncios de maquiagem a latinhas de refrigerante. Também no ramo das bebidas, a cantora trans Linn da Quebrada se associou a uma marca de vodca. Ela gravou com As Bahias e a Cozinha Mineira uma música e um clipe para a campanha.

“Foi um trabalho muito importante. Quantas travestis existem em São Paulo, e quantos corpos pretos delas existem representados? Quando temos um mural de um prédio de 50 metros que nos mostra, ele expressa um posicionamento, uma defesa dos nossos corpos”, diz Linn.

No poder
Linn gravou seu primeiro álbum completo, “Pajubá”, através de crowdfunding (financiamento do público). “Sinto que é eco, um coro de vozes que até então foram silenciadas, e que quando tiveram contato com meu trabalho, se viram representadas. Não teve forma melhor de fazer meu disco.”

A rapper Gloria Groove, outro nome de destaque no movimento, também busca esta liberdade nos projetos. Ela faz parte do casting de uma pequena agência em SP. “Estou numa posição de considerar muita coisa para o qual sou chamada, para saber se há uma intenção real de nos mostrar do jeito certo”, diz.

“2017 foi um divisor de águas. Não só pela Pabllo, mas também Liniker, Johnny Hooker, Rico Dalasam. Foi o momento da quebra. Mas a luta não está vencida. O mercado está mais aberto, mas continua a depender mais da nossa iniciativa de tomar tudo de assalto do que da iniciativa do mercado”, diz Gloria.

Mãos dadas
Se a cena das cantoras pop drags do Brasil atual fosse o grunge – movimento de Seattle, nos EUA, que revitalizou o rock nos anos 90 -, Pabllo Vittar seria o Nirvana: banda que protagonizou o estouro comercial que cavou o espaço para as outras.

“A Pabllo é minha amiga, e eu falo mesmo: ela abriu o caminho para as outras passarem. Tem gente que veio antes, claro, mas quem escancarou foi a Pabllo mesmo”, diz Mia Badgyal. A estilista e DJ é caçula na cena: lançou sua primeira música “Na batida”, no final de 2017.

Antes de cantar como a drag queen Mia Badgyal, Bruno Moura foi cantor evangélico mirim. Ele desistiu da carreira na igreja: “Entre os cantores evangélicos, tinha muita fofoca, intriga, competição. Falavam que eram todos irmãos, mas era um querendo atropelar o outro.”

Anos depois, Mia diz que achou no pop LGBT um ambiente de muito mais colaboração e apoio entre os artistas do que na música evangélica.

A cadeia de parcerias do parágrafo abaixo representa bem este clima de cooperação:

Aretuza Lovi gravou uma música com Gloria Groove, que gravou outra com Linn da Quebrada, que gravou outra com Mulher Pepita, que gravou outra com Lia Clark, que gravou outra com Pabllo Vittar, que usa roupas de Mia Badgyal, que está na playlist de Butantan, que já fez festa com Kaya Conky…

1 – Aretuza Lovi

Nascida na pequena Cristalina (GO), a cantora drag queen de 27 anos já pode ser considerada veterana: em 2012, lançou o clipe de “Striptease”, que tem hoje 60 mil views no YouTube. A partir de 2016, começou a colher os frutos do crescimento do mercado. No final de 2017, assinou contrato com a Sony Music, mesma gravadora de Pabllo Vittar, e prepara o álbum “Mercadinho”.

2 – Linn da Quebrada

A artista transexual de São Paulo faz música eletrônica mais experimental que a média desta lista. Ela chamou o álbum que lançou no fim do ano passado, “Pajubá”, de “Lemonade transvyado” (em referência ao álbum de Beyoncé que também teve vídeos para todas as faixas). Em fevereiro, vai ao Festival de Berlim lançar “Bixa Travesti”, filme sobre ela feito com Kiko Goifman e Claudia Priscilla.

3 – Gloria Groove

Daniel Garcia canta desde sete anos e fez parte da segunda formação do Balão Mágico. Também foi ator e até hoje trabalha com dublagem (é a voz do Chase de “Patrulha Canina”, o Rico de “Hannah Montana”, o Power Ranger preto nas temporadas 20 e 21 e protagonista de “Digimon Fusion”). Com seu nome de drag queen, a rapper paulistana Gloria Groove, a paulistana é uma das figuras centrais desta cena musical LGBT atual.

4 – Lia Clark

A drag de Santos se destacou em 2016 com “Trava trava”. Em 2017, se arriscou como youtuber, lançou “Chifrudo”, com a Mulher Pepita, e a polêmica “Boquetáxi”. O clipe foi restrito para menores e depois bloqueado no YouTube. A cantora ainda lançou uma versão “2.0” sem versos que parodiavam a antiga música gravada por Angélica. No fim do ano, foi ao Rio gravar “Berro”.

5 – Mia Badgyal

Estilista e DJs em boates de São Paulo, a drag começou a carreira artística na infância como cantor mirim evangélico. De família religiosa, entre SP e Belo Horizonte, estava prestes a gravar seu 1º CD quando resolveu sair da igreja, aos 14 anos. No fim de novembro, soltou um “lyric-video” para a música “Na batida”. Conseguiu rápido montar uma equipe para o clipe, que grava nesta semana.

6 – Mulher Pepita

A cantora travesti já tem destaque há alguns anos na cena funk carioca e em festas LGBT pelo Brasil. No ano passado, lançou a ousada paródia do hino do Flamengo chamada “Uma vez piranha”. Deve fazer ainda mais barulho em 2018, já que terá faixas produzidas por Rodrigo Gorky, compositor e produtor que ajudou a formatar o som que consagrou Pabllo Vittar.

7 – Kaya Conky

O “efeito Pabllo Vittar” não impulsionou só cantoras no eixo Rio-SP. A drag Kaya Conky ganhou destaque na cena LGBT de Natal (RN) quando gravou “E aí bebê”, no fim de 2016, o que garantiu agenda cheia em festas pelo Nordeste. “Bumbum tremendo”, que saiu há menos de um mês e já tem quase 400 mil views no YouTube, parece que vai repercutir ainda mais.

8 – Butantan

Também de fora do eixo vem a drag Butantan. Com a colega drag de São Luis (MA), lançou no final de novembro o clipe de “B.O.Y.”, com clipe inspirado em clássicos de terror e zumbis. O vídeo anterior dela era “Close errado”, “produzido com um orçamento total de 0 reais em homenagem aos cachês que nunca me pagaram”, segundo ela.

9 – As Baphônicas

No começo de 2015, ainda antes de Pabllo Vittar levar o pop das drags às rádios, as Baphônicas tentaram emplacar como “a primeira banda de drags do Rio de Janeiro”. Chegaram a abrir shows de Anitta e Ludmilla na cidade. Agora, o ex-trio aparece como duo (Chloe Van Damme e Ravena Creole) na faixa “Exército da causação”, com lyric-video lançado em outubro.

10 – Sabrina Sister

Assim como Mia Badgyal, Sabrina é um exemplo de drag queen que arrisca lançar carreira musical nos últimos meses. A funkeira da Zona Leste de São Paulo lançou no dia 10 de setembro o clipe de “Baile da Sabrina”. Ainda não teve o mesmo destaque de outras cantoras desta lista, mas conta com o apoio da amiga Gloria Groove.

 

Fonte: G1

 


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